Ciganos

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Cafeomancia (Leitura da Borra do Café)



“O café inspira e aproxima as pessoas, estimula o cérebro, alegra o espírito e revela o futuro”



Antes de falarmos dos Atendimentos de Cafeomancia, precisamos conhecer um pouco da história da descoberta do café. Não há evidência real sobre a descoberta do café, mas há muitas lendas que relatam sua possível origem. Segundo a lenda, há muito tempo atrás, um jovem pastor chamado Kaldi, tomando conta do seu rebanho de cabras em uma montanha árida e ressecada em Kaffa, na Absínia, hoje Etiópia – onde somente algumas pobres moitas esqueléticas conseguiam incrustar suas raízes nas rochas, observou que, durante a noite, alguns de seus animais desapareciam atrás da montanha durante algumas horas, e voltavam saltitantes. Kaldi ficou irrequieto, pois estava convencido que suas cabras estavam possuídas pelo diabo. Uma noite ele seguiu os seus animais e os viu pastarem com um notável prazer pelos pequenos grãos vermelhos que se encontravam sob o arbusto que nunca tinha visto.
No final de alguns minutos desta refeição imprevista, as cabras e o “velho bode” começaram a dançar à luz da lua. Kaldi recolheu alguns grãos e os comeu com tanto prazer que ficou na sua boca uma agradável sensação de frescor. O resultado foi inesperado: assim como os carneiros, Kaldi começou a dançar. Nunca houve na Terra um pastor Tão alegre. 


Kaldi comentou sobre os frutos com um monge da região, que decidiu experimentá-los. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida.
As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez in natura, nos monastérios islâmicos no Yêmen por volta de 575. O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se pela África do Norte e chegou a Arábia que manteve o monopólio. Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água.


Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido pela primeira vez na Pérsia e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.


O café teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Mohammad. No entanto logo o café venceu essas resistências e até os doutores maometanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época. O café foi considerado o vinho do islã uma vez que a religião muçulmana não permitia a bebida alcoólica. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida.


O café era servido nas mesquitas, nos lares, fazendo parte da alimentação árabe. Em 1475, foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves. A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, contrabandeado por viajantes holandeses, em suas frequentes viagens ao oriente. Em 1675, o café foi levado para a Turquia e para a Itália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e somente foi liberado após o Papa Clemente VIII provar a bebida, gostar e abençoar o café, pondo por terra a perseguição do café por alguns cristãos fanáticos.


No mundo árabe, a cerimônia de preparar e servir o café faz parte da tão conhecida hospitalidade árabe, é sinal de que a visita é bem-vinda e honrada por seu anfitrião. No dia a dia, o café é preparado em pequenas quantidades também em um bule especial sem tampa. O café depois de pronto é servido em outro bule especial limpo acompanhado de pequenas xícaras sem alça. O café árabe não é coado, espera-se a borra sentar no fundo para servir.


A Cafeomancia veio logo após a Chegada do café ao mundo árabe.


Muito difundida nos países árabes, tornando-se uma de suas mais ricas tradições, principalmente no Irã, na Turquia e no Sul da Rússia, onde era praticada pelas cortes dos grandes czares e responsável por decisões importantes para a Humanidade.

Posteriormente, foi introduzida na Europa, no século XVIII, sendo a França o primeiro país a adotá-la. Mais tarde, foi a vez da Itália, na cidade de Veneza, partindo para o resto do mundo. Essa prática divinatória árabe era usada pelas odaliscas dos sultões antigos que, através da Borra do café, previa qual odalisca seria escolhida para aquela noite.

Atualmente a prática da Cafeomancia é muito difundida pelos ciganos e utilizada na Turquia e nos países do norte da África, que conservam essa prática há vários séculos, passando-a de geração a geração.
Nas famílias árabes mais tradicionais, ainda hoje as mães leem as xícaras “sujas” dos filhos e dos maridos depois do almoço. Para os árabes, a borra de café revela segredos e indica caminhos.

Antes da arte divinatória da cafeomancia já existia a Teimancia (leitura nas folhas do chá), praticada na Ásia pelos chineses e japoneses e muito utilizadas pelos ciganos que já ganhavam respeito entre os nobres da antiguidade. A Cafeomancia é uma arte divinatória usada para analisar e orientar o futuro através da leitura da borra de café, que aparece na parede e fundo de uma xícara, depois de bebê-lo. A cafeomancia mostrará o presente e o futuro próximo. O passado, será mostrado apenas se tiver relação com o presente ou com o futuro.





Ler a Borra de Café é uma arte assim como ler os Hieroglifos.


A energia da pessoa que degusta o café influencia e se mostra através da xícara e do pires, nos resíduos de café, mostrando conceitos e caminhos. Essa leitura é extremamente eficiente, pois o café teve contato direto com a “porta da vida” ou com a “porta da respiração” — a boca. A boca é um órgão especial, no qual se comunicam o corpo, o espírito e a alma, com o mundo exterior que é simbolizado pelo ar. É o local no qual o corpo, o corpo etérico e o corpo astral se unem. 

O café é um fruto da terra, que precisa de água para se transformar em bebida, de fogo para ferver a água, e da passagem pela “porta do ar”, para ser sentido. Ou seja, são quatro as bases que tomam parte do processo — terra, água, fogo e ar (espírito). Portanto, esta leitura da borra do café, a boca que representará o elemento ar, poderá ser substituída pelo pensamento focado que também se utiliza, do elemento ar – a mente.

Dentro dos costumes da época, acreditava-se que quando havia uma previsão de maus presságios, devia-se quebrar a xícara para evitar o mal. E quando desejava-se realizar o que o presságio dizia, guardava-se a xícara até o acontecimento. A xícara era guardada em um pano preto.

“O Café conquistou os Árabes, foi abençoado pelo Papa, conquistou o mundo e trouxe riquezas para muitos “